Erupções explodiam com força total. O vento de rocha vinha se aproximando do dragão de bronze com extrema velocidade, que se esforçava para ultrapassá-lo. Todos tentavam se agarrar por suas vidas.
"É muito rápido para nós! Suba! Suba!" Com algumas pancadas na testa do animal, Diana conseguiu fazer o animal desviar para cima escapando da onda destruidora.
Momentos depois, com a situação mais segura, o dragão pousou em uma planície para deixar os garotos e Uni e logo em seguida voou para longe, exausto.
"Eles não conseguiram, né?!" Bobby chorava assistindo à fileira de fogo a distância.
"Sinto muito Bobby. O erro foi meu." Hank lamentou, com seus ombros caídos e cabeça abaixada.
O ambiente era de pura tristeza. Bobby se retirou inconsolável, incapaz de entender atitude de Hank.
"O que nós fazemos agora, Hank?" Diana colocou sua mão em um dos ombros do seu amigo.
"Os vulcões não vão permitir que voltemos. Nós temos que continuar... para a Fronteira do Reino." Hank se virou e olhou para outra direção. A planície continuava por uma longa distância, e ao seu final, uma colina se extendia, tão longe quanto ele podia ver. No topo, vagamente visível, estava o cenotáfio, uma torre solitária, em ruínas, no topo do mundo.
"Bobby? Bobby?!" Shelia gritava olhando de um lado para o outro em cima do pedregulho ao lado de alguns riachos formados por lava. Após algum tempo, olhou para Eric e Presto. "Nenhum sinal. Eles devem ter..."
"Não foi sua culpa, Eric." Presto tentava consolar o amigo que se mostrava culpado pela tragédia.
"Vamos. O mínimo que eu posso fazer é achar a chave do Vingador e levar vocês dois para casa." Eric levantou a cabeça e começou a caminhar penosamente se afastando junto com os outros da região do vulcão, abandonando o velho galeão a queimar.
O cenotáfio era alto como um arranha-céu, situado na borda de um penhasco. Em uma sacada próxima ao topo da torre, encontravam-se duas figuras: o Vingador e o Mestre dos Magos.
"Você vai perder, velho. O desejo deles de voltar para casa é mais forte do que qualquer outra coisa. Sem o seu apoio eles vão desmoronar." Desdenhou Vingador.
"A coragem deles não vai lhes falhar. Eles farão o que deve ser feito." O Mestre dos Magos parecia preocupado, mas nunca permitiria ser atingido por provocações.
Os mágicos observavam os dois grupos de jovens se aproximando vagarosamente por lados opostos. Ambos sabiam que a irregularidade do terreno impedia que os garotos se vissem.
A entrada da torre era estonteante. A porta de madeira era imensa. Possuia em seu centro um adorno dourado representado uma enorme cabeça de dragão e uma espada também dourada cruzando os lados. As mandibulas da carranca configuravam as molduras da entrada.
"Aqui estamos nós. E agora, o que fazemos?" Era evidente para Diana que não havia forma alguma de abrir aquela porta.
"Eu não sei, Diana. Acho que chegamos tão longe quanto podemos ir. Parece que guiei a gente direto para o desastre." Hank, desanimado, apoiava-se sobre a porta.
"Ei, veja o lado bom das coisas. Vocês chegaram antes da gente." Era Eric, não conseguindo esconder seu jeito atrevido na expressão.
"Bobby!" Sheila apareceu logo atrás correndo em direção ao irmão para abraçá-lo.
Todos se abraçaram em grande alegria. Uni balia feliz dando coices para o alto.
"Estou muito contente que vocês estejam bem. Agora tudo que temos a fazer é conseguir aquela chave e ir para casa." Disse Eric com a mão no ombro de Hank.
"Vocês não continuam pensando em fazer isso, não é?" Hank se afastou de Eric surpreso.
"Pode apostar que estamos. Eu quero dormir na minha própria cama esta noite." Eric mostrou mais uma vez sua cara de atrevido.
"Esqueça Eric! Ninguém abre essa porta!" Hank entrou na frente da porta impedindo a passagem.
"Isto é o que você pensa! Presto, mostre a ele!"
Presto tirou o chapéu e o apontou para a porta. Depois de algumas palavras, um raio explodiu de dentro do chapéu, surpreendendo o jovem mágico tanto quanto os outros. Ao mesmo tempo, quatro anéis mágicos surgiram prendendo e afastando Hank,Diana, Bobby e Uni. A força do raio atingiu a porta em cheio, rachando-a logo em seguida, possibilitando a entrada do grupo de Eric.
Depois de um tempo, Hank e os outros conseguiram se soltar, mas era tarde demais, não havia mais sinal de ninguém.
"Nós temos que impedí-los, eles estão caindo direitinho nas mãos do Vingador."
Dentro do cenotáfio havia uma enorme câmara vazia com uma porta lateral dirigindo a uma escadaria. Eric, Presto e Sheila já estavam subindo quando uma flecha de energia atravessou o ar acima das suas cabeças, parando-os. Eric olhou para trás e viu Hank com uma flecha apontada para ele.
"Não faça isso, Eric!" Avisou Hank.
"Como você vai me impedir, Hank?" Eric desafiou.
De súbito o chão começou a tremer, acompanhado por um estrondo, fazendo todos olharem com apreensão.
"O que foi isso?" Sheila gritou amedrontada.
As enormes pedras que formavam o centro do o chão da câmara começaram a rachar, e dessas fissuras um fluido viscoso um pouco translúcido jorrava, como um ser amebóide. Seus pseudópodes se erguiam na direção dos garotos procurando cegamente por eles. A única saída era subir as escadarias.
De cima das escadas Hank atirou uma flecha na criatura, mas um pseudópode ergueu-se e envolveu a flecha sem nenhum efeito visível.
"É melhor pensarmos em alguma coisa. Esse pote de geléia significa problemas." Disse Diana se sentindo um tanto impotente.
"Bobby! Cuidado!" Sheila tentou agarrar seu irmão que corria em direção ao monstro. Ergueu seu tacape e bateu nas duas paredes da escadaria provocando um desmoronamento. As paredes racharam e desabaram, enterrando a criatura debaixo de toneladas de pedra enquanto Bobby voltava a toda velocidade.
"Bobby? Tudo bem com você?" Sheila abraçou o irmão.
"Boas e más notícias... aquela coisa está soterrada. Mas nós não podemos voltar pela escada." Disse Bobby se limpando da poeira dos destroços.
"Isto siginifica que nós temos que subir." Eric olhou para Hank com satisfação.
"Você ganhou, Eric. Por enquanto." Hank concordou lentamente.
A parte mais alta do cenotáfio era o santuário, um câmara ernorme, como uma catedral, com uma abóbada lateral em uma parede e um sarcófago ornamentado no meio do chão, a tampa esculpida no formato de uma figura em repouso. A parede oposta à abóbada ruira, revelando o abismo além do Reino. A escadaria terminava em outra parede.
"Então é isso. Não parece lá grande coisa." Surgiu Eric olhando em volta, seguido pelos outros.
"Vejam..." Disse Diana, fazendo os garotos se aproximarem cautelosamente da parede ruída olhando através dela para o abismo derradeiro.
"Continua para sempre....!" Disse Bobby perplexo. Na Fronteira do Reino, um desfiladeiro infinito mergulhava na noite nevoenta milhares de milhas abaixo. Estrelas piscavam nas profundezas.
Sheila se aproximou da abobada. Quase oculto entre o entalhe da ornamentação era possível notar um buraco de fechadura.
"Há uma fechadura aqui. Isso é uma porta." Concluiu.
"Vejam... na tampa. É o..." Presto, ao lado do sarcófago, reagiu espantado olhar para a figura esculpida na tampa . Era o desenho de um guerreiro, braços cruzados sobre o peito. Possuia uma face nobre e serena, mesmo assim era impossível não reconhecê-lo.
"Vingador!" Nesta figura não havia presas, chifres ou asas. Simplismente o rosto tranquilo de um jovem dormindo.
"Eu não entendo. Quem iria querer fazer o velho cabeça de chifre parecer bom?" Bobby estava intrigado.
"Só há uma maneira da gente descobrir. Abrindo." Disse eric olhando para a figura.
Os garotos se alinharam ao lado do sarcófago e empurraram a pesada tampa de pedra. Com um som estridente de atrito, ela escorregou. Ao mover-se lentamente, a tampa revelou um interior vazio, salvo por uma chave comum no fundo. Eric rapidamente alcançou e agarrou a chave.
"Conseguimos a chave! Agora, tudo o que temos a fazer é jogá-la no abismo." Eric se dirigiu para o abismo mas Hank o interrompeu colocando-se na frente dele.
"Você ainda não entendeu? Nós jamais voltaremos para casa confiando no Vingador."
"Saia do meu caminho, Hank." Os dois estavam cara a cara. Mas Hank sacidiu a cabeça.
"Não! Eu estou certo sobre isso... eu sei!"
Repentinamente todos foram derrubados por um tremor extremamente forte. Os tentáculos da ameba surgiram novamente derrubando tudo à sua volta, inclusive os garotos. Eric foi jogado e foi parar à beira do abismo. Depois de se recompor, viu a oportunidade de jogar a chave, mas na última hora a mão de Hank o impediu.
"Me larga! Me deixa jogar a chave! Você quer ser um prisioneiro para sempre?" Disse Eric tentando se libertar.
Nesse meio tempo, o resto dos meninos já se viam presos quase até a cabeça pelo monstro. Não havia mais possibilidade de se soltarem.
"Eric! Acho que você está certo! Todos nós somos prisioneiros aqui... incluindo o Vingador! E essa é a chave!" Hank se encontrava de costas para o abismo quando mais uma onda de choque provocada pela ameba o fez desequilibrar. Por um momento ele pairou, os braços sacudindo, na fronteira com o infinito abaixo, então caiu. Eric tentou segurá-lo mas ja era tarde. Hank se fora.
Repentinamente, Vingador surgiu na frente de Eric apontando para a chave.
"A chave, Cavaleiro! Lance-a no abismo... ou você não vai ver sua casa nunca mais!"
Eric olhou para o abismo, então para a direção oposta. Para a abóbada, o buraco de fechadura. Como se tivesse tomado uma decisão, Eric correu como nunca para a porta trancada conseguindo proteger-se dos raios do Vingador com seu escudo.
"Hank, é melhor você estar certo.." Eric enfiou a chave na fechadura e girou.
Imediatamente a porta se escancarou. Uma cascata de luz cintilante momentaneamente revelou a silhueta de Eric, e então nao se viu mais nada.
De longe era possível ver jorros de magia como fogos de artifício irromper da torre se espalhando por toda a fronteira do Reino e além. Depois da fantástica apresentação, o que restou do santuário estava vazio e quieto, salvo a presença dos garotos.
"Vocês viram aquilo?" Sussurrou Eric para Presto.
"Você está brincando? Nós estávamos todos por aqui." Presto respondeu increibilizado.
"Parece que Hank tinha razão..." Diana suspirou.
"Hank!!" Todos correram para a abeira do abismo ollhando para baixo, procurando, temendo o pior. Então sorriram em alívio.
"Bem, não fiquem simplesmente aí... Me tirem daqui!" Hank estava se segurando em uma ponta rochosa que se sobressaía do abismo.
"Pai... eu retornei." Era o Vingador ajoelhado em frente ao Mestre dos Magos. Agora uma figura nobre e majestosa, semelhante à esculpida no sarcófago.
Os garotos pareciam incrédulos, mas o Mestre dos Magos falou com muita emoção.
"Obrigado, meu jovens pupilos. Vocês fizeram a única coisa que não estava em meu poder fazer... vocês trouxeram de volta meu filho para mim."
"Você é o pai do Vingador? Não há muito semelhança familiar..." Os meninos se entreolharam confusos.
"Milhares de anos atrás, eu escolhi seguir outro Mestre. Eu aprisionei neste cenotáfio tudo aquilo que o Mestre dos Magos havia me concedido. E agora vocês me libertaram." Sorriu Vingador.
"E vocês deram àqueles, presos neste Reino, a sua liberdade. Eu não posso fazer menos. Vocês estão livres para retornar ao seu mundo agora, se vocês quiserem." Mestre dos Magos ergueu suas mãos e um raio saiu da abóboda, atingindo o chão próximo aos garotos, formando um portal. Dentro dele era possível ver o parque de diversões. Mas ele prosseguiu.
"Ou vocês podem permanecer aqui, no Reino. Ainda há muito mal a combater e aventuras também. A escolha, meus jovens, é de vocês."
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Requiem - Ato II
Postado por
Gabriel
às
14:00
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Requiem - Ato I
O vento distante batia forte sobre a névoa densa. Carrancas e monolitos antigos agrupados indicavam um local sagrado, talvez.
"Vingador?" A voz um tanto austera, mas sem perder a serenidade.
De súbito, um raio mágico surgido do desconhecido atingiu em cheio uma das pedras, a que estava o Mestre dos Magos. Quando a poeira abaixou não havia mais ninguém, nenhum corpo, o ancião desaparecera.
"Você é um idiota, velho." Era impossível não perceber o desdém, quase infantil. "Seus pupilos estão fadados a falhar, só estão vivos devido ao seu auxílio."
"Está enganado Vingador, você bem sabe que eles podem triunfar sobre qualquer coisa do Reino." O mago levantou a sobrancelha unindo um sorriso sarcástico.
"Se está tão certo disso, não se oporia a um teste de coragem. Deixaria de ajudá-los para provar o que afirma? Se tiverem sucesso obterão a chave, se perderem, levo suas armas e suas vidas."
O velho juntou as mãos e sorriu: "Está bem, que assim seja."
Longe dali, nossos heróis, como sempre, não estavam numa situação muito confortável. Desta vez, uma hidra enorme chicoteava na direção dos garotos, perseguindo-os através da vastidão lamacenta de charnecas pantanosas.
Parecia que não havia salvação, as flechas de Hank de nada resolviam, nem as outras armas. Uni, para variar, balia amedrontada. Repentinamente, no meio da confusão aparece o Mestre dos Magos.
"Salve-nos, Mestre dos Magos. Use sua magia para acabar com a hidra." Gritavam os garotos procurando um alívio.
"Vocês entraram nessa sozinhos, meus jovens. Agora encontrem a solução." Esta resposta deixou os garotos estarrecidos, dando oportunidade para hidra atacar. Assim o velho mago desapareceu.
"Não acredito. Ele nos desertou!" Eric se mostra inconsolado.
"Nós vamos nos preocupar com isso mais tarde, se houver um mais tarde! Por este lado, vamos!" Hank apontou para um pântano pegajoso e correu em sua direção, vendo atrás seus amigos tropeçando em raízes e em trechos de lama, chapinhando através de poças doentias, ficando com suas roupas presas em arbustos. Seus rostos estavam amedrontados. Em pouco tempo estavam juntos na borda do pântano, e claro, com a hidra no encalço.
"Agora! Espalhem-se!" Eles foram um para cada lado, correndo ao longo das bordas do brejo, ao mesmo tempo em que a inércia da hidra a levou direto para o atoleiro.
"Conseguimos! Estamos vivos!" Aliviaram-se todos.
"É, e não foi graças ao Mestre dos Magos." Disse Eric com uma expressão carrancuda.
A noite, o grupo se reuniu em volta de uma fogueira. A lua brilhava na superfície do mar e era possível ouvir as ondas batendo.
"Talvez não tenha sido o Mestre dos Magos." Indagara Diana.
"Era ele. Você acha que eu não o reconheceria?" Eric, revoltado, retrucou mexendo a fogueira com um graveto. "Todo esse reino é uma prisão, sabiam? E nós somos todos prisioneiros. Nós pensamos que o Mestre dos Magos era nosso amigo, mas agora sabemos que ele não passa de outro guarda."
"O que vamos fazer agora? Se o Mestre dos Magos nos abandonou, quem vai nos ajudar?" Sheila se aproximou do fogo, tremendo mais de medo que frio.
"Eu vou ajudá-los." Todos reconheceram aquela voz rouca. Em um instante estavam todos a postos, armas prontas, encarando a escuridão que cercava a fogueira. "Fiquem calmos, meus jovens inimigos. Eu não vou feri-los." Ergueu as mãos em sinal de paz.
"Mexa-se bem devagar, Vingador." Hank já estava com seu arco pronto para disparar.
Vingador suavemente ergueu um dos cantos da boca ao ouvir o aviso.
"Então, o Mestre dos Magos finalmente mostrou sua real face. Vocês nunca se perguntaram porque os conselhos dele sempre os levaram para batalhas, e nunca de volta para seu próprio mundo? Tem sido conveniente para vocês encarar o Mestre dos Magos como bom, e a mim como mau. Mas as coisas não são tão simples. Eu lhes permiti viver antes. Ajudem-me agora, e eu lhes concederei o seu maior desejo. Eu os mandarei de volta para seu mundo."
Brincando com as chamas, Vingador criou um pequeno portal mostrando o parque de diversões, deixando os garotos increibilizados. Ele continuou.
"Longe, ao sul, situa-se a Fronteira do Reino. Lá vocês encontrarão um cenotáfio. Uma tumba vazia. Dentro está uma chave, a qual vocês devem lançar dentro do Abismo. Façam isso, e vocês voltarão para casa. Vocês têm a minha palavra."
A chama que formava o portal aumentou de tal forma que fez os meninos se afastarem. Quando voltou ao normal o Vingador já havia desaparecido.
"Esqueça Vingador! De jeito nenhum nós vamos trabalhar para você!" Afirmou Hank.
"Espere um minuto, Hank. Que opção nós temos? O Mestre dos Magos nos abandonou... o Vingador pode ser nossa única passagem de volta." Discordou Eric, que apoiado por Presto e Sheila fizeram os outros ficarem incrédulos.
"Vocês não podem estar falando sério. Vocês sabem que o Vingador significa encrenca. E sempre ficamos juntos Eric..." Disse Diana estendendo a mão para Eric. Mas sua mão foi afastada com raiva e os três rebeldes foram se afastando. Sheila olhou para Bobby.
"Bobby, você não vai mudar de idéia?"
"Eu acho que você está cometendo um erro, Sheila." O menino pareceu indeciso e muito triste, mas manteve-se ao lado de Hank, Diana e Uni.
Algum tempo depois, seguindo a beira da praia, o grupo de Eric se viu diante de um velho galeão encalhado. Suas velas como farrapos balançando ao vento.
"Você acha que pode fazer essa coisa voar?" Indagou Eric a Presto.
"A mágica no chapéu libertamos, deixe-nos voar pelo céu, como no mar navegamos." Franziu em concentração.
Por incrível que pareça, a mágica funcionou e o antigo navio levantou voo arrancando algumas velas que ainda restavam.
"Nós estamos fazendo a coisa certa, Eric?" Sheila estava logo atrás de Eric.
"Eu não sei. Mas nós não vamos desistir." Respondeu sem ao menos olhar para trás.
No acampamento, os que ficaram olhavam o galeão passar pelas três luas do Reino imaginando uma forma de chegar antes à fronteira. De repente um rugido tremendo interrompeu a cena. O grupo se virou para a água e se deparou com um enorme dragão de cor bronze ruge. Bobby se preparou para batalha mas Diana com um passo a frente interveio.
"Espere, Bobby. Este é um dragão de bronze, ele pode nos ajudar." A acrobata deu leves pancadas nos chifres do animal com sua vara, como um guia indiano tranquilizando um elefante. Com uma bufada, o dragão abaixou a cabeça e Diana acenou triunfante para os outros.
"A bordo!"
A manhã chegava mas Hank não havia dormido um segundo. Olhava os dois sóis a nascer atrás de uma terra árida e pedregosa que parecia não ter fim.
"Você devia dormir um pouco." Diana esfregava os olhos sonolenta.
"Por que você acha que estamos aqui, Diana?" Hank franziu o cenho olhando para o horizonte. "Eu sempre pensei que fosse para derrotar o Vingador, mas estou começando a imaginar. Talvez o Vingador esteja certo sobre uma coisa... talvez as coisas não sejam tão simples."
"Ei, olhem!" Interrompeu Bobby apontando para frente agitadamente. As Montanhas de Fogo estavam se aproximando e podia-se ver que eram na verdade vulcões. Cortinas de fumaça e cinza flutuavam sobre caldeirões de lava borbulhante. Fontes incandescentes espirravam. Nenhum dos picos parecia estar a ponto de entrar em erupção, mas se apresentavam como um desafio perigoso.
Perto dali o galeão serpenteava no seu caminho através dos picos mortais.
"Ei, nós estamos indo mais devagar, Presto." Eric disse preocupado ao passar próximo a um lago de fogo.
"Acho que o meu feitiço está ficando sem combustível." Presto respondeu sacudindo seu chapéu.
"Eles estão nos alcançando." Sheila gritou vendo o dragão de bronze voar através das nuvens de cinza.
Hank pegou seu arco e apontou para o barco, mas Diana agarrou sua mão.
"Hank! O que você está fazendo?"
"Eu vou forçá-los a descer!" Bruscamente Hank soltou-se do braço de Diana e disparou uma flecha para baixo, mas Eric ergueu o seu escudo fazendo a flecha ricochetear e atingir direto uma das rochas derretidas e ferventes, causando uma grande erupção. Uma chuva de fragmentos ardentes começou a cair no convés, ateando fogo ao restante das velas em trapos.
"Hank! O que foi que você fez?" Gritou Bobby.
Mas não havia tempo para conversas. Pedaços em chamas eram lançados da cratera em atividade, causando a explosão de um lado inteiro da montanha, enviando uma nuvem mortal de gás incandescente e pedra em pó. O dragão não viu outra alternativa e voou na tentativa de escapar da chuva de destruição.
Postado por
Gabriel
às
09:23
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