terça-feira, 23 de outubro de 2007

Requiem - Ato II

Erupções explodiam com força total. O vento de rocha vinha se aproximando do dragão de bronze com extrema velocidade, que se esforçava para ultrapassá-lo. Todos tentavam se agarrar por suas vidas.
"É muito rápido para nós! Suba! Suba!" Com algumas pancadas na testa do animal, Diana conseguiu fazer o animal desviar para cima escapando da onda destruidora.
Momentos depois, com a situação mais segura, o dragão pousou em uma planície para deixar os garotos e Uni e logo em seguida voou para longe, exausto.
"Eles não conseguiram, né?!" Bobby chorava assistindo à fileira de fogo a distância.
"Sinto muito Bobby. O erro foi meu." Hank lamentou, com seus ombros caídos e cabeça abaixada.
O ambiente era de pura tristeza. Bobby se retirou inconsolável, incapaz de entender atitude de Hank.
"O que nós fazemos agora, Hank?" Diana colocou sua mão em um dos ombros do seu amigo.
"Os vulcões não vão permitir que voltemos. Nós temos que continuar... para a Fronteira do Reino." Hank se virou e olhou para outra direção. A planície continuava por uma longa distância, e ao seu final, uma colina se extendia, tão longe quanto ele podia ver. No topo, vagamente visível, estava o cenotáfio, uma torre solitária, em ruínas, no topo do mundo.

"Bobby? Bobby?!" Shelia gritava olhando de um lado para o outro em cima do pedregulho ao lado de alguns riachos formados por lava. Após algum tempo, olhou para Eric e Presto. "Nenhum sinal. Eles devem ter..."
"Não foi sua culpa, Eric." Presto tentava consolar o amigo que se mostrava culpado pela tragédia.
"Vamos. O mínimo que eu posso fazer é achar a chave do Vingador e levar vocês dois para casa." Eric levantou a cabeça e começou a caminhar penosamente se afastando junto com os outros da região do vulcão, abandonando o velho galeão a queimar.

O cenotáfio era alto como um arranha-céu, situado na borda de um penhasco. Em uma sacada próxima ao topo da torre, encontravam-se duas figuras: o Vingador e o Mestre dos Magos.
"Você vai perder, velho. O desejo deles de voltar para casa é mais forte do que qualquer outra coisa. Sem o seu apoio eles vão desmoronar." Desdenhou Vingador.
"A coragem deles não vai lhes falhar. Eles farão o que deve ser feito." O Mestre dos Magos parecia preocupado, mas nunca permitiria ser atingido por provocações.
Os mágicos observavam os dois grupos de jovens se aproximando vagarosamente por lados opostos. Ambos sabiam que a irregularidade do terreno impedia que os garotos se vissem.

A entrada da torre era estonteante. A porta de madeira era imensa. Possuia em seu centro um adorno dourado representado uma enorme cabeça de dragão e uma espada também dourada cruzando os lados. As mandibulas da carranca configuravam as molduras da entrada.
"Aqui estamos nós. E agora, o que fazemos?" Era evidente para Diana que não havia forma alguma de abrir aquela porta.
"Eu não sei, Diana. Acho que chegamos tão longe quanto podemos ir. Parece que guiei a gente direto para o desastre." Hank, desanimado, apoiava-se sobre a porta.
"Ei, veja o lado bom das coisas. Vocês chegaram antes da gente." Era Eric, não conseguindo esconder seu jeito atrevido na expressão.
"Bobby!" Sheila apareceu logo atrás correndo em direção ao irmão para abraçá-lo.
Todos se abraçaram em grande alegria. Uni balia feliz dando coices para o alto.
"Estou muito contente que vocês estejam bem. Agora tudo que temos a fazer é conseguir aquela chave e ir para casa." Disse Eric com a mão no ombro de Hank.
"Vocês não continuam pensando em fazer isso, não é?" Hank se afastou de Eric surpreso.
"Pode apostar que estamos. Eu quero dormir na minha própria cama esta noite." Eric mostrou mais uma vez sua cara de atrevido.
"Esqueça Eric! Ninguém abre essa porta!" Hank entrou na frente da porta impedindo a passagem.
"Isto é o que você pensa! Presto, mostre a ele!"
Presto tirou o chapéu e o apontou para a porta. Depois de algumas palavras, um raio explodiu de dentro do chapéu, surpreendendo o jovem mágico tanto quanto os outros. Ao mesmo tempo, quatro anéis mágicos surgiram prendendo e afastando Hank,Diana, Bobby e Uni. A força do raio atingiu a porta em cheio, rachando-a logo em seguida, possibilitando a entrada do grupo de Eric.
Depois de um tempo, Hank e os outros conseguiram se soltar, mas era tarde demais, não havia mais sinal de ninguém.
"Nós temos que impedí-los, eles estão caindo direitinho nas mãos do Vingador."
Dentro do cenotáfio havia uma enorme câmara vazia com uma porta lateral dirigindo a uma escadaria. Eric, Presto e Sheila já estavam subindo quando uma flecha de energia atravessou o ar acima das suas cabeças, parando-os. Eric olhou para trás e viu Hank com uma flecha apontada para ele.
"Não faça isso, Eric!" Avisou Hank.
"Como você vai me impedir, Hank?" Eric desafiou.
De súbito o chão começou a tremer, acompanhado por um estrondo, fazendo todos olharem com apreensão.
"O que foi isso?" Sheila gritou amedrontada.
As enormes pedras que formavam o centro do o chão da câmara começaram a rachar, e dessas fissuras um fluido viscoso um pouco translúcido jorrava, como um ser amebóide. Seus pseudópodes se erguiam na direção dos garotos procurando cegamente por eles. A única saída era subir as escadarias.
De cima das escadas Hank atirou uma flecha na criatura, mas um pseudópode ergueu-se e envolveu a flecha sem nenhum efeito visível.
"É melhor pensarmos em alguma coisa. Esse pote de geléia significa problemas." Disse Diana se sentindo um tanto impotente.
"Bobby! Cuidado!" Sheila tentou agarrar seu irmão que corria em direção ao monstro. Ergueu seu tacape e bateu nas duas paredes da escadaria provocando um desmoronamento. As paredes racharam e desabaram, enterrando a criatura debaixo de toneladas de pedra enquanto Bobby voltava a toda velocidade.
"Bobby? Tudo bem com você?" Sheila abraçou o irmão.
"Boas e más notícias... aquela coisa está soterrada. Mas nós não podemos voltar pela escada." Disse Bobby se limpando da poeira dos destroços.
"Isto siginifica que nós temos que subir." Eric olhou para Hank com satisfação.
"Você ganhou, Eric. Por enquanto." Hank concordou lentamente.

A parte mais alta do cenotáfio era o santuário, um câmara ernorme, como uma catedral, com uma abóbada lateral em uma parede e um sarcófago ornamentado no meio do chão, a tampa esculpida no formato de uma figura em repouso. A parede oposta à abóbada ruira, revelando o abismo além do Reino. A escadaria terminava em outra parede.
"Então é isso. Não parece lá grande coisa." Surgiu Eric olhando em volta, seguido pelos outros.
"Vejam..." Disse Diana, fazendo os garotos se aproximarem cautelosamente da parede ruída olhando através dela para o abismo derradeiro.
"Continua para sempre....!" Disse Bobby perplexo. Na Fronteira do Reino, um desfiladeiro infinito mergulhava na noite nevoenta milhares de milhas abaixo. Estrelas piscavam nas profundezas.
Sheila se aproximou da abobada. Quase oculto entre o entalhe da ornamentação era possível notar um buraco de fechadura.
"Há uma fechadura aqui. Isso é uma porta." Concluiu.
"Vejam... na tampa. É o..." Presto, ao lado do sarcófago, reagiu espantado olhar para a figura esculpida na tampa . Era o desenho de um guerreiro, braços cruzados sobre o peito. Possuia uma face nobre e serena, mesmo assim era impossível não reconhecê-lo.
"Vingador!" Nesta figura não havia presas, chifres ou asas. Simplismente o rosto tranquilo de um jovem dormindo.
"Eu não entendo. Quem iria querer fazer o velho cabeça de chifre parecer bom?" Bobby estava intrigado.
"Só há uma maneira da gente descobrir. Abrindo." Disse eric olhando para a figura.
Os garotos se alinharam ao lado do sarcófago e empurraram a pesada tampa de pedra. Com um som estridente de atrito, ela escorregou. Ao mover-se lentamente, a tampa revelou um interior vazio, salvo por uma chave comum no fundo. Eric rapidamente alcançou e agarrou a chave.
"Conseguimos a chave! Agora, tudo o que temos a fazer é jogá-la no abismo." Eric se dirigiu para o abismo mas Hank o interrompeu colocando-se na frente dele.
"Você ainda não entendeu? Nós jamais voltaremos para casa confiando no Vingador."
"Saia do meu caminho, Hank." Os dois estavam cara a cara. Mas Hank sacidiu a cabeça.
"Não! Eu estou certo sobre isso... eu sei!"
Repentinamente todos foram derrubados por um tremor extremamente forte. Os tentáculos da ameba surgiram novamente derrubando tudo à sua volta, inclusive os garotos. Eric foi jogado e foi parar à beira do abismo. Depois de se recompor, viu a oportunidade de jogar a chave, mas na última hora a mão de Hank o impediu.
"Me larga! Me deixa jogar a chave! Você quer ser um prisioneiro para sempre?" Disse Eric tentando se libertar.
Nesse meio tempo, o resto dos meninos já se viam presos quase até a cabeça pelo monstro. Não havia mais possibilidade de se soltarem.
"Eric! Acho que você está certo! Todos nós somos prisioneiros aqui... incluindo o Vingador! E essa é a chave!" Hank se encontrava de costas para o abismo quando mais uma onda de choque provocada pela ameba o fez desequilibrar. Por um momento ele pairou, os braços sacudindo, na fronteira com o infinito abaixo, então caiu. Eric tentou segurá-lo mas ja era tarde. Hank se fora.
Repentinamente, Vingador surgiu na frente de Eric apontando para a chave.
"A chave, Cavaleiro! Lance-a no abismo... ou você não vai ver sua casa nunca mais!"
Eric olhou para o abismo, então para a direção oposta. Para a abóbada, o buraco de fechadura. Como se tivesse tomado uma decisão, Eric correu como nunca para a porta trancada conseguindo proteger-se dos raios do Vingador com seu escudo.
"Hank, é melhor você estar certo.." Eric enfiou a chave na fechadura e girou.
Imediatamente a porta se escancarou. Uma cascata de luz cintilante momentaneamente revelou a silhueta de Eric, e então nao se viu mais nada.
De longe era possível ver jorros de magia como fogos de artifício irromper da torre se espalhando por toda a fronteira do Reino e além. Depois da fantástica apresentação, o que restou do santuário estava vazio e quieto, salvo a presença dos garotos.
"Vocês viram aquilo?" Sussurrou Eric para Presto.
"Você está brincando? Nós estávamos todos por aqui." Presto respondeu increibilizado.
"Parece que Hank tinha razão..." Diana suspirou.
"Hank!!" Todos correram para a abeira do abismo ollhando para baixo, procurando, temendo o pior. Então sorriram em alívio.
"Bem, não fiquem simplesmente aí... Me tirem daqui!" Hank estava se segurando em uma ponta rochosa que se sobressaía do abismo.

"Pai... eu retornei." Era o Vingador ajoelhado em frente ao Mestre dos Magos. Agora uma figura nobre e majestosa, semelhante à esculpida no sarcófago.
Os garotos pareciam incrédulos, mas o Mestre dos Magos falou com muita emoção.
"Obrigado, meu jovens pupilos. Vocês fizeram a única coisa que não estava em meu poder fazer... vocês trouxeram de volta meu filho para mim."
"Você é o pai do Vingador? Não há muito semelhança familiar..." Os meninos se entreolharam confusos.
"Milhares de anos atrás, eu escolhi seguir outro Mestre. Eu aprisionei neste cenotáfio tudo aquilo que o Mestre dos Magos havia me concedido. E agora vocês me libertaram." Sorriu Vingador.
"E vocês deram àqueles, presos neste Reino, a sua liberdade. Eu não posso fazer menos. Vocês estão livres para retornar ao seu mundo agora, se vocês quiserem." Mestre dos Magos ergueu suas mãos e um raio saiu da abóboda, atingindo o chão próximo aos garotos, formando um portal. Dentro dele era possível ver o parque de diversões. Mas ele prosseguiu.
"Ou vocês podem permanecer aqui, no Reino. Ainda há muito mal a combater e aventuras também. A escolha, meus jovens, é de vocês."

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Requiem - Ato I

O vento distante batia forte sobre a névoa densa. Carrancas e monolitos antigos agrupados indicavam um local sagrado, talvez.
"Vingador?" A voz um tanto austera, mas sem perder a serenidade.
De súbito, um raio mágico surgido do desconhecido atingiu em cheio uma das pedras, a que estava o Mestre dos Magos. Quando a poeira abaixou não havia mais ninguém, nenhum corpo, o ancião desaparecera.
"Você é um idiota, velho." Era impossível não perceber o desdém, quase infantil. "Seus pupilos estão fadados a falhar, só estão vivos devido ao seu auxílio."
"Está enganado Vingador, você bem sabe que eles podem triunfar sobre qualquer coisa do Reino." O mago levantou a sobrancelha unindo um sorriso sarcástico.
"Se está tão certo disso, não se oporia a um teste de coragem. Deixaria de ajudá-los para provar o que afirma? Se tiverem sucesso obterão a chave, se perderem, levo suas armas e suas vidas."
O velho juntou as mãos e sorriu: "Está bem, que assim seja."

Longe dali, nossos heróis, como sempre, não estavam numa situação muito confortável. Desta vez, uma hidra enorme chicoteava na direção dos garotos, perseguindo-os através da vastidão lamacenta de charnecas pantanosas.
Parecia que não havia salvação, as flechas de Hank de nada resolviam, nem as outras armas. Uni, para variar, balia amedrontada. Repentinamente, no meio da confusão aparece o Mestre dos Magos.
"Salve-nos, Mestre dos Magos. Use sua magia para acabar com a hidra." Gritavam os garotos procurando um alívio.
"Vocês entraram nessa sozinhos, meus jovens. Agora encontrem a solução." Esta resposta deixou os garotos estarrecidos, dando oportunidade para hidra atacar. Assim o velho mago desapareceu.
"Não acredito. Ele nos desertou!" Eric se mostra inconsolado.
"Nós vamos nos preocupar com isso mais tarde, se houver um mais tarde! Por este lado, vamos!" Hank apontou para um pântano pegajoso e correu em sua direção, vendo atrás seus amigos tropeçando em raízes e em trechos de lama, chapinhando através de poças doentias, ficando com suas roupas presas em arbustos. Seus rostos estavam amedrontados. Em pouco tempo estavam juntos na borda do pântano, e claro, com a hidra no encalço.
"Agora! Espalhem-se!" Eles foram um para cada lado, correndo ao longo das bordas do brejo, ao mesmo tempo em que a inércia da hidra a levou direto para o atoleiro.
"Conseguimos! Estamos vivos!" Aliviaram-se todos.
"É, e não foi graças ao Mestre dos Magos." Disse Eric com uma expressão carrancuda.

A noite, o grupo se reuniu em volta de uma fogueira. A lua brilhava na superfície do mar e era possível ouvir as ondas batendo.
"Talvez não tenha sido o Mestre dos Magos." Indagara Diana.
"Era ele. Você acha que eu não o reconheceria?" Eric, revoltado, retrucou mexendo a fogueira com um graveto. "Todo esse reino é uma prisão, sabiam? E nós somos todos prisioneiros. Nós pensamos que o Mestre dos Magos era nosso amigo, mas agora sabemos que ele não passa de outro guarda."
"O que vamos fazer agora? Se o Mestre dos Magos nos abandonou, quem vai nos ajudar?" Sheila se aproximou do fogo, tremendo mais de medo que frio.
"Eu vou ajudá-los." Todos reconheceram aquela voz rouca. Em um instante estavam todos a postos, armas prontas, encarando a escuridão que cercava a fogueira. "Fiquem calmos, meus jovens inimigos. Eu não vou feri-los." Ergueu as mãos em sinal de paz.
"Mexa-se bem devagar, Vingador." Hank já estava com seu arco pronto para disparar.
Vingador suavemente ergueu um dos cantos da boca ao ouvir o aviso.
"Então, o Mestre dos Magos finalmente mostrou sua real face. Vocês nunca se perguntaram porque os conselhos dele sempre os levaram para batalhas, e nunca de volta para seu próprio mundo? Tem sido conveniente para vocês encarar o Mestre dos Magos como bom, e a mim como mau. Mas as coisas não são tão simples. Eu lhes permiti viver antes. Ajudem-me agora, e eu lhes concederei o seu maior desejo. Eu os mandarei de volta para seu mundo."
Brincando com as chamas, Vingador criou um pequeno portal mostrando o parque de diversões, deixando os garotos increibilizados. Ele continuou.
"Longe, ao sul, situa-se a Fronteira do Reino. Lá vocês encontrarão um cenotáfio. Uma tumba vazia. Dentro está uma chave, a qual vocês devem lançar dentro do Abismo. Façam isso, e vocês voltarão para casa. Vocês têm a minha palavra."
A chama que formava o portal aumentou de tal forma que fez os meninos se afastarem. Quando voltou ao normal o Vingador já havia desaparecido.
"Esqueça Vingador! De jeito nenhum nós vamos trabalhar para você!" Afirmou Hank.
"Espere um minuto, Hank. Que opção nós temos? O Mestre dos Magos nos abandonou... o Vingador pode ser nossa única passagem de volta." Discordou Eric, que apoiado por Presto e Sheila fizeram os outros ficarem incrédulos.
"Vocês não podem estar falando sério. Vocês sabem que o Vingador significa encrenca. E sempre ficamos juntos Eric..." Disse Diana estendendo a mão para Eric. Mas sua mão foi afastada com raiva e os três rebeldes foram se afastando. Sheila olhou para Bobby.
"Bobby, você não vai mudar de idéia?"
"Eu acho que você está cometendo um erro, Sheila." O menino pareceu indeciso e muito triste, mas manteve-se ao lado de Hank, Diana e Uni.

Algum tempo depois, seguindo a beira da praia, o grupo de Eric se viu diante de um velho galeão encalhado. Suas velas como farrapos balançando ao vento.
"Você acha que pode fazer essa coisa voar?" Indagou Eric a Presto.
"A mágica no chapéu libertamos, deixe-nos voar pelo céu, como no mar navegamos." Franziu em concentração.
Por incrível que pareça, a mágica funcionou e o antigo navio levantou voo arrancando algumas velas que ainda restavam.
"Nós estamos fazendo a coisa certa, Eric?" Sheila estava logo atrás de Eric.
"Eu não sei. Mas nós não vamos desistir." Respondeu sem ao menos olhar para trás.

No acampamento, os que ficaram olhavam o galeão passar pelas três luas do Reino imaginando uma forma de chegar antes à fronteira. De repente um rugido tremendo interrompeu a cena. O grupo se virou para a água e se deparou com um enorme dragão de cor bronze ruge. Bobby se preparou para batalha mas Diana com um passo a frente interveio.
"Espere, Bobby. Este é um dragão de bronze, ele pode nos ajudar." A acrobata deu leves pancadas nos chifres do animal com sua vara, como um guia indiano tranquilizando um elefante. Com uma bufada, o dragão abaixou a cabeça e Diana acenou triunfante para os outros.
"A bordo!"

A manhã chegava mas Hank não havia dormido um segundo. Olhava os dois sóis a nascer atrás de uma terra árida e pedregosa que parecia não ter fim.
"Você devia dormir um pouco." Diana esfregava os olhos sonolenta.
"Por que você acha que estamos aqui, Diana?" Hank franziu o cenho olhando para o horizonte. "Eu sempre pensei que fosse para derrotar o Vingador, mas estou começando a imaginar. Talvez o Vingador esteja certo sobre uma coisa... talvez as coisas não sejam tão simples."
"Ei, olhem!" Interrompeu Bobby apontando para frente agitadamente. As Montanhas de Fogo estavam se aproximando e podia-se ver que eram na verdade vulcões. Cortinas de fumaça e cinza flutuavam sobre caldeirões de lava borbulhante. Fontes incandescentes espirravam. Nenhum dos picos parecia estar a ponto de entrar em erupção, mas se apresentavam como um desafio perigoso.
Perto dali o galeão serpenteava no seu caminho através dos picos mortais.
"Ei, nós estamos indo mais devagar, Presto." Eric disse preocupado ao passar próximo a um lago de fogo.
"Acho que o meu feitiço está ficando sem combustível." Presto respondeu sacudindo seu chapéu.
"Eles estão nos alcançando." Sheila gritou vendo o dragão de bronze voar através das nuvens de cinza.
Hank pegou seu arco e apontou para o barco, mas Diana agarrou sua mão.
"Hank! O que você está fazendo?"
"Eu vou forçá-los a descer!" Bruscamente Hank soltou-se do braço de Diana e disparou uma flecha para baixo, mas Eric ergueu o seu escudo fazendo a flecha ricochetear e atingir direto uma das rochas derretidas e ferventes, causando uma grande erupção. Uma chuva de fragmentos ardentes começou a cair no convés, ateando fogo ao restante das velas em trapos.
"Hank! O que foi que você fez?" Gritou Bobby.
Mas não havia tempo para conversas. Pedaços em chamas eram lançados da cratera em atividade, causando a explosão de um lado inteiro da montanha, enviando uma nuvem mortal de gás incandescente e pedra em pó. O dragão não viu outra alternativa e voou na tentativa de escapar da chuva de destruição.

domingo, 30 de setembro de 2007

Verdades para Lembrar

"A mãe de todos os sentimentos é a gratidão."

"O pai de todos os vícios é o medo."

"És responsável por tudo aquilo que cativas."

"O desentendimento surge da imposição da própria alma a alma alheia. O entendimento surge da aceitação da alma alheia a própria alma."

"Sem o ofendido não existe a ofensa."

"A forma ideal de se ensinar é dar o exemplo."

"Tudo que é meu por direito divino me é apresentado agora. E me chega em grandes avalanches de abundância pela graça e de modo milagroso."

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Esperança

Culpa;
Remorso;
Benção.

Quem é que dita as regras?
Quem julga e quem pune?
O homem ainda é humano.
Não aprendeu nada?

Agora não há mais o que fazer
O destino completou a missão.
Mesmo com todas as chances
Não deu pra escapar.

Mas, olhando o futuro
Tudo fica bem
Não acabou, não é?
Que saudade

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Buraco de Minhoca

Vejo amigos juntos com mochilas nas costas.
Vejo todos sorridentes, objetivos alcançados, pensando em nada além da grande empreitada que espera. A ansiedade é devido às oportunidades - possibilidades - que irão aparecer pelo caminho.
Vejo um lugar totalmente novo, diferente, humilde mas colorido.
Vejo novas almas, lindas. Vejo os dias. Vejo as noites.
Vejo os picos, as ruínas, as maravilhas. Ah, vejo a natureza!
Vejo o som, vejo o cheiro dela.
Fecho os olhos e inspiro...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Criação X Receptividade

Por quê a preocupação com a criação? Será ela mais importante? Pela Lei do Equilíbrio imagino que não, mas por quê a necessidade de priorização?
Indaguei ao I Ching - meu grande mestre - o que Ele tinha a me dizer sobre isso.
O primeiro hexagrama que recebi foi 18 - KU com o valor 6 na quarta e quinta casa, originando 44 - KOU.
OK, mas o que isso significa? Bom, KU significa Trabalho Sobre O Que Se Deteriorou e KOU, Vir Ao Encontro.
O primeiro hexagrama exemplifica que, devido à estagnação - excesso de passividade - ocorre a deterioração, necessitando assim trabalho para a normalização da situação. Esse exemplo mostra como a receptividade (yin), pode atrapalhar o equilíbrio.
Mas esse mesmo hexagrama mostra que é necessário um entendimento cauteloso dos problemas antes de achar uma resolução para afastá-los. Além disso, precisa-se também de bastante cuidado ao iniciar um novo caminho depois de resolvido os problemas, para não haver novo retrocesso. Nas palavras do próprio Richard Wilhelm: "Os métodos do homem superior devem derivar também dos dois trigramas básicos (yin e yang), mas de modo a que seus efeitos se desenvolvam numa sequência ordenada." Sem a utilização equilibrada dos opostos não é possível obter sucesso.
O Segundo hexagrama também é muito interessante, justamente por alertar sobre o uso excessivo do criativo (yang). Com a criação, a euforia, cria-se uma certa "cegueira" sobre as leis universais. A autora Carol Anthony explicita: "O homem inferior só se levanta porque o homem superior não o vê como perigoso, de maneira que isso lhe infunde poder," e ainda avisa: "Não responda à sedução, especialmente à sedução do poder."
Que lição tiramos disso? A mais simples e fácil possível, existem as horas apropriadas para criar e outras tantas para aprender. O homem superior sabe agir de forma apropriada em todas as situações, usando seu criativo e receptivo com equilíbrio e organização. Quando isso for possível para todos, inclusive para mim, talvez viveremos naquele mundo sem rótulos, sem palavras.

P.S. Realmente, quem que cria quando se quer chorar? Mas, cá entre nós, há melhor momento para aprender?

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Colheita

Olá amigos!
Quero falar do show da Brasil de Feijões no Interunesp. Acredito que todos sentiram como que se a apresentação tivesse durado apenas um instante. Lembro que antes da última música - Baby do Raul - o Pelego, batera da banda, comentou: "Já acabou?" E foi desse jeito mesmo!
A energia em cima e em baixo do palco era tão intensa que o tempo não foi mais importante. Nós vivemos aquele presente simplesmente sentindo-o, Racional desligado e Emocional bombando!
Nossa, como é legal lembrar. Doze pessoas no palco, dez músicas, a galera, os abraços, a vibração, todo mundo cantando junto!
Cada um tocava algo diferente em cada música. Houve movimentação no palco, ninguém ficou plantado no lugar com seu instrumento. Bom, teve o Leite, guitarrista, que arrumou um lugarzinho bacana ali na frente. :)
De qualquer forma, acredito que foi o show mais fantástico que fizemos, a energia musical mais forte que todos já sentiram. A galera embaixo era fantástica, as músicas saíram perfeitas, tudo foi como tinha que ser.
Sabíamos disso desde o começo. Acho que quando é assim, o acontecimento em si é parte do processo, a parte final, a da colheita.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Considerações sobre o Mecanismo

Descobri nesses últimos tempos um grande Graal. Uma forma maravilhosa de ver o mundo. Tão incrível que chega a ser assustadora.
Em resumo, trata-se da Lei da Atração. Sim, sim, é o tal Segredo, assunto do livro best-seller que todos estão comentando por aí. Mas acho que Segredo é apenas uma palavra comercial para o que eu prefiro chamar de Mecanismo.
Mesmo assim, não chega a ser uma grande surpresa, afinal, já se sabe da existência da Lei da Atração há muito tempo, em muitas culturas e religiões. Jesus Cristo, por exemplo, tinha total domínio do Mecanismo, andando na água, transformando água em vinho e até mesmo em suas parábolas: "Diga-me com quem andas que eu te direi quem és."
O livro ensina de uma forma bem eficiente como criar, viver a sua vontade, e mais importante, a treinar a perda do medo, causa de todas atitudes inferiores, todas mesmo. Se houver algum exemplo que contrarie isso, por favor, não hesitem em postar. Enfim, o livro ensina a euforia de se viver feliz.
O livro também prega a abundância, em todos os sentidos, principalmente a monetária e do prazer.
Agora vamos mudar um pouco de livro. O Tao da Física, de Fritjof Capra é formidável. Possui uma visão extremamente completa da realidade das possibilidades e dessa forma, do Mecanismo. Um exemplo muito interessante refere-se à criação de matéria em colisões de partículas em alta energia. Esses experimentos são extraordinários, realizados em grandes laboratórios de alta tecnologia.
A partir de um fóton, que não possui massa, é apenas uma ondulação no campo relativístico de Einstein, cria-se como que em um passe de mágica um elétron e sua anti-partícula, o pósitron, de mesma massa e carga oposta. Este exemplo ainda não possui uma resposta convincente para todos os cientistas, mas deixa todo mundo de orelha em pé. Ora, como assim, criou-se do nada? A resposta é sim! O Mecanismo prevê isso, todos somos criadores. Instantaneamente nós somos todas as possibilidades, matéria não existe como indestrutível, ela é energia.
Mesmo assim, não podemos esquecer que o elétron não pôde ser criado sem sua anti-partícula. Existe uma tendência ao equilíbrio, a anulação.
Segundo religiões orientais, o caminho é o do meio. O nirvana, estado perfeito, é a beleza máxima do nada. Com a existência da euforia, inevitavelmente cria-se a anti-euforia, porque precisa haver o equilíbrio de tudo.
A evolução humana não reside na euforia nem no Mecanismo, este é apenas um artifício. Esse conhecimento nos tenderá a serenidade. Assim a humanidade caminhará como o Universo, de forma fácil e simples.

Boas Vindas

Olá amigos!
Finalmente encontrei forças para recomeçar a incrível viagem pelo mundo da escrita. Desta vez, serei eu mesmo, e todos nós. Todos nós, porque o mais legal de se escrever é quando se lê também, quando há a comunicação. É possível criar uma rede de pensamentos, só que com letras. Algo que fique na história! Lá! Pra quem quiser ver!
Todos têm a capacidade de expressar na escrita. Aumentar essa rede de pensamentos. Torná-la gigante, compartilhando idéias, aumentando o conhecimento e diminuindo a ignorância. Todos podem!
Escreverei e vocês também. Porque vocês já leram e já fazem parte da minha rede de pensamentos como eu faço parte das suas.
Até breve!
Gabriel