sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Criação X Receptividade

Por quê a preocupação com a criação? Será ela mais importante? Pela Lei do Equilíbrio imagino que não, mas por quê a necessidade de priorização?
Indaguei ao I Ching - meu grande mestre - o que Ele tinha a me dizer sobre isso.
O primeiro hexagrama que recebi foi 18 - KU com o valor 6 na quarta e quinta casa, originando 44 - KOU.
OK, mas o que isso significa? Bom, KU significa Trabalho Sobre O Que Se Deteriorou e KOU, Vir Ao Encontro.
O primeiro hexagrama exemplifica que, devido à estagnação - excesso de passividade - ocorre a deterioração, necessitando assim trabalho para a normalização da situação. Esse exemplo mostra como a receptividade (yin), pode atrapalhar o equilíbrio.
Mas esse mesmo hexagrama mostra que é necessário um entendimento cauteloso dos problemas antes de achar uma resolução para afastá-los. Além disso, precisa-se também de bastante cuidado ao iniciar um novo caminho depois de resolvido os problemas, para não haver novo retrocesso. Nas palavras do próprio Richard Wilhelm: "Os métodos do homem superior devem derivar também dos dois trigramas básicos (yin e yang), mas de modo a que seus efeitos se desenvolvam numa sequência ordenada." Sem a utilização equilibrada dos opostos não é possível obter sucesso.
O Segundo hexagrama também é muito interessante, justamente por alertar sobre o uso excessivo do criativo (yang). Com a criação, a euforia, cria-se uma certa "cegueira" sobre as leis universais. A autora Carol Anthony explicita: "O homem inferior só se levanta porque o homem superior não o vê como perigoso, de maneira que isso lhe infunde poder," e ainda avisa: "Não responda à sedução, especialmente à sedução do poder."
Que lição tiramos disso? A mais simples e fácil possível, existem as horas apropriadas para criar e outras tantas para aprender. O homem superior sabe agir de forma apropriada em todas as situações, usando seu criativo e receptivo com equilíbrio e organização. Quando isso for possível para todos, inclusive para mim, talvez viveremos naquele mundo sem rótulos, sem palavras.

P.S. Realmente, quem que cria quando se quer chorar? Mas, cá entre nós, há melhor momento para aprender?

Um comentário:

Saulo Mazarin disse...

Não vou entrar no mérito da existência ou não de um momento mais apropriado para aprender. Mas me parece que, no homem superior, o aprendizado é inerente às lágrimas - elas vieram de algo que não pôde ser previsto.
Já no homem decadente, não sei se funciona da mesma forma. Este, por já prever (e dessa maneira criar) os eventos que o deixarão cada vez mais abalado, não aprende mais, já que a vida não cansa de reafirmar sua decadência.
Existem também os homens que estão nesse meio de caminho. Para estes últimos, é necessário extremo cuidado com o coração, com a racionalidade e com a intuição para que o caminho do super-homem seja o escolhido após a tempestade.
But it's so radical, so dificult.