quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Requiem - Ato I

O vento distante batia forte sobre a névoa densa. Carrancas e monolitos antigos agrupados indicavam um local sagrado, talvez.
"Vingador?" A voz um tanto austera, mas sem perder a serenidade.
De súbito, um raio mágico surgido do desconhecido atingiu em cheio uma das pedras, a que estava o Mestre dos Magos. Quando a poeira abaixou não havia mais ninguém, nenhum corpo, o ancião desaparecera.
"Você é um idiota, velho." Era impossível não perceber o desdém, quase infantil. "Seus pupilos estão fadados a falhar, só estão vivos devido ao seu auxílio."
"Está enganado Vingador, você bem sabe que eles podem triunfar sobre qualquer coisa do Reino." O mago levantou a sobrancelha unindo um sorriso sarcástico.
"Se está tão certo disso, não se oporia a um teste de coragem. Deixaria de ajudá-los para provar o que afirma? Se tiverem sucesso obterão a chave, se perderem, levo suas armas e suas vidas."
O velho juntou as mãos e sorriu: "Está bem, que assim seja."

Longe dali, nossos heróis, como sempre, não estavam numa situação muito confortável. Desta vez, uma hidra enorme chicoteava na direção dos garotos, perseguindo-os através da vastidão lamacenta de charnecas pantanosas.
Parecia que não havia salvação, as flechas de Hank de nada resolviam, nem as outras armas. Uni, para variar, balia amedrontada. Repentinamente, no meio da confusão aparece o Mestre dos Magos.
"Salve-nos, Mestre dos Magos. Use sua magia para acabar com a hidra." Gritavam os garotos procurando um alívio.
"Vocês entraram nessa sozinhos, meus jovens. Agora encontrem a solução." Esta resposta deixou os garotos estarrecidos, dando oportunidade para hidra atacar. Assim o velho mago desapareceu.
"Não acredito. Ele nos desertou!" Eric se mostra inconsolado.
"Nós vamos nos preocupar com isso mais tarde, se houver um mais tarde! Por este lado, vamos!" Hank apontou para um pântano pegajoso e correu em sua direção, vendo atrás seus amigos tropeçando em raízes e em trechos de lama, chapinhando através de poças doentias, ficando com suas roupas presas em arbustos. Seus rostos estavam amedrontados. Em pouco tempo estavam juntos na borda do pântano, e claro, com a hidra no encalço.
"Agora! Espalhem-se!" Eles foram um para cada lado, correndo ao longo das bordas do brejo, ao mesmo tempo em que a inércia da hidra a levou direto para o atoleiro.
"Conseguimos! Estamos vivos!" Aliviaram-se todos.
"É, e não foi graças ao Mestre dos Magos." Disse Eric com uma expressão carrancuda.

A noite, o grupo se reuniu em volta de uma fogueira. A lua brilhava na superfície do mar e era possível ouvir as ondas batendo.
"Talvez não tenha sido o Mestre dos Magos." Indagara Diana.
"Era ele. Você acha que eu não o reconheceria?" Eric, revoltado, retrucou mexendo a fogueira com um graveto. "Todo esse reino é uma prisão, sabiam? E nós somos todos prisioneiros. Nós pensamos que o Mestre dos Magos era nosso amigo, mas agora sabemos que ele não passa de outro guarda."
"O que vamos fazer agora? Se o Mestre dos Magos nos abandonou, quem vai nos ajudar?" Sheila se aproximou do fogo, tremendo mais de medo que frio.
"Eu vou ajudá-los." Todos reconheceram aquela voz rouca. Em um instante estavam todos a postos, armas prontas, encarando a escuridão que cercava a fogueira. "Fiquem calmos, meus jovens inimigos. Eu não vou feri-los." Ergueu as mãos em sinal de paz.
"Mexa-se bem devagar, Vingador." Hank já estava com seu arco pronto para disparar.
Vingador suavemente ergueu um dos cantos da boca ao ouvir o aviso.
"Então, o Mestre dos Magos finalmente mostrou sua real face. Vocês nunca se perguntaram porque os conselhos dele sempre os levaram para batalhas, e nunca de volta para seu próprio mundo? Tem sido conveniente para vocês encarar o Mestre dos Magos como bom, e a mim como mau. Mas as coisas não são tão simples. Eu lhes permiti viver antes. Ajudem-me agora, e eu lhes concederei o seu maior desejo. Eu os mandarei de volta para seu mundo."
Brincando com as chamas, Vingador criou um pequeno portal mostrando o parque de diversões, deixando os garotos increibilizados. Ele continuou.
"Longe, ao sul, situa-se a Fronteira do Reino. Lá vocês encontrarão um cenotáfio. Uma tumba vazia. Dentro está uma chave, a qual vocês devem lançar dentro do Abismo. Façam isso, e vocês voltarão para casa. Vocês têm a minha palavra."
A chama que formava o portal aumentou de tal forma que fez os meninos se afastarem. Quando voltou ao normal o Vingador já havia desaparecido.
"Esqueça Vingador! De jeito nenhum nós vamos trabalhar para você!" Afirmou Hank.
"Espere um minuto, Hank. Que opção nós temos? O Mestre dos Magos nos abandonou... o Vingador pode ser nossa única passagem de volta." Discordou Eric, que apoiado por Presto e Sheila fizeram os outros ficarem incrédulos.
"Vocês não podem estar falando sério. Vocês sabem que o Vingador significa encrenca. E sempre ficamos juntos Eric..." Disse Diana estendendo a mão para Eric. Mas sua mão foi afastada com raiva e os três rebeldes foram se afastando. Sheila olhou para Bobby.
"Bobby, você não vai mudar de idéia?"
"Eu acho que você está cometendo um erro, Sheila." O menino pareceu indeciso e muito triste, mas manteve-se ao lado de Hank, Diana e Uni.

Algum tempo depois, seguindo a beira da praia, o grupo de Eric se viu diante de um velho galeão encalhado. Suas velas como farrapos balançando ao vento.
"Você acha que pode fazer essa coisa voar?" Indagou Eric a Presto.
"A mágica no chapéu libertamos, deixe-nos voar pelo céu, como no mar navegamos." Franziu em concentração.
Por incrível que pareça, a mágica funcionou e o antigo navio levantou voo arrancando algumas velas que ainda restavam.
"Nós estamos fazendo a coisa certa, Eric?" Sheila estava logo atrás de Eric.
"Eu não sei. Mas nós não vamos desistir." Respondeu sem ao menos olhar para trás.

No acampamento, os que ficaram olhavam o galeão passar pelas três luas do Reino imaginando uma forma de chegar antes à fronteira. De repente um rugido tremendo interrompeu a cena. O grupo se virou para a água e se deparou com um enorme dragão de cor bronze ruge. Bobby se preparou para batalha mas Diana com um passo a frente interveio.
"Espere, Bobby. Este é um dragão de bronze, ele pode nos ajudar." A acrobata deu leves pancadas nos chifres do animal com sua vara, como um guia indiano tranquilizando um elefante. Com uma bufada, o dragão abaixou a cabeça e Diana acenou triunfante para os outros.
"A bordo!"

A manhã chegava mas Hank não havia dormido um segundo. Olhava os dois sóis a nascer atrás de uma terra árida e pedregosa que parecia não ter fim.
"Você devia dormir um pouco." Diana esfregava os olhos sonolenta.
"Por que você acha que estamos aqui, Diana?" Hank franziu o cenho olhando para o horizonte. "Eu sempre pensei que fosse para derrotar o Vingador, mas estou começando a imaginar. Talvez o Vingador esteja certo sobre uma coisa... talvez as coisas não sejam tão simples."
"Ei, olhem!" Interrompeu Bobby apontando para frente agitadamente. As Montanhas de Fogo estavam se aproximando e podia-se ver que eram na verdade vulcões. Cortinas de fumaça e cinza flutuavam sobre caldeirões de lava borbulhante. Fontes incandescentes espirravam. Nenhum dos picos parecia estar a ponto de entrar em erupção, mas se apresentavam como um desafio perigoso.
Perto dali o galeão serpenteava no seu caminho através dos picos mortais.
"Ei, nós estamos indo mais devagar, Presto." Eric disse preocupado ao passar próximo a um lago de fogo.
"Acho que o meu feitiço está ficando sem combustível." Presto respondeu sacudindo seu chapéu.
"Eles estão nos alcançando." Sheila gritou vendo o dragão de bronze voar através das nuvens de cinza.
Hank pegou seu arco e apontou para o barco, mas Diana agarrou sua mão.
"Hank! O que você está fazendo?"
"Eu vou forçá-los a descer!" Bruscamente Hank soltou-se do braço de Diana e disparou uma flecha para baixo, mas Eric ergueu o seu escudo fazendo a flecha ricochetear e atingir direto uma das rochas derretidas e ferventes, causando uma grande erupção. Uma chuva de fragmentos ardentes começou a cair no convés, ateando fogo ao restante das velas em trapos.
"Hank! O que foi que você fez?" Gritou Bobby.
Mas não havia tempo para conversas. Pedaços em chamas eram lançados da cratera em atividade, causando a explosão de um lado inteiro da montanha, enviando uma nuvem mortal de gás incandescente e pedra em pó. O dragão não viu outra alternativa e voou na tentativa de escapar da chuva de destruição.

Um comentário:

Unknown disse...

Pronto! Eu li rs... Agora d� para vc colocar a outra parte que estou curiosa?? rs...